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sábado, 27 de novembro de 2021

400 - Aññatra Sutta - Em Outro Lugar


Aññatra Sutta

Em Outro Lugar

Samyutta Nikaya LVI.61



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Então, o Abençoado, tomando um pouco de terra com a ponta da unha, disse aos bhikkhus, "O que vocês pensam, bhikkhus? O que é maior: a pequena quantidade de terra que tomei com a ponta da unha ou o grande planeta terra?"
"Venerável senhor, o grande planeta terra é muito maior. A pequena quantidade de terra que o Abençoado tomou com a ponta da unha é quase nada. Comparado ao grande planeta terra, essa pequena quantidade de terra não é calculável, não tem comparação, não representa nem uma fração."
"Assim também, bhikkhus, aqueles seres que renascem entre os seres humanos são poucos. Mas, os seres que renascem em outros lugares são mais numerosos do que os que renascem entre os seres humanos. Por qual razão? Porque, bhikkhus, eles não viram as Quatro Nobres Verdades. Quais quatro? A nobre verdade do sofrimento, a nobre verdade da origem do sofrimento, a nobre verdade da cessação do sofrimento, a nobre verdade do caminho que conduz à cessação do sofrimento.

 


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399 - Siha Sutta - Para o General Siha (Sobre a Generosidade)


Siha Sutta

Para o General Siha (Sobre a Generosidade)

Anguttara Nikaya V.34



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Em certa ocasião o Abençoado estava em Vesali na Grande Floresta no Salão com um pico na cumeeira. Então o General Siha foi até o Abençoado e depois de cumprimentá-lo sentou a um lado e disse:
"É possível, senhor, apontar um fruto da generosidade visível no aqui e agora?"
"É possível, Siha. Quem é generoso, um mestre na generosidade, é querido e estimado pelas pessoas em geral. E o fato de que quem é generoso, um mestre na generosidade, ser querido e estimado pelas pessoas em geral: esse é um fruto da generosidade visível no aqui e agora.
"Além disso, boas pessoas, pessoas íntegras, admiram quem é generoso, um mestre da generosidade. E o fato de que boas pessoas, pessoas íntegras, admirarem quem é generoso, um mestre na generosidade: esse, também, é um fruto da generosidade visível no aqui e agora.
"Além disso, a fina reputação de quem é generoso, um mestre da generosidade, se difunde amplamente. E o fato de que a fina reputação de quem é generoso, um mestre da generosidade, se difundir amplamente: esse, também, é um fruto da generosidade visível no aqui e agora.
"Além disso, quando alguém é generoso, um mestre da generosidade, se aproxima de uma assembléia de pessoas - khattiyas, brâmanes, chefes de família, ou contemplativos - ele assim o faz com confiança e sem embaraço: e o fato de que quando alguém é generoso, um mestre da generosidade, se aproximar de uma assembléia de pessoas - khattiyas, brâmanes, chefes de família, ou contemplativos – fazê-lo com confiança e sem embaraço: esse, também, é um fruto da generosidade visível no aqui e agora.
"Além disso, na dissolução do corpo, após a morte, aquele que é generoso, um mestre da generosidade, renasce num destino feliz, no paraíso. E o fato de que na dissolução do corpo, após a morte, aquele que é generoso, um mestre da generosidade, renascer num destino feliz, no paraíso: esse, também, é um fruto da generosidade visível na próxima vida.
Quando isto foi dito, o general Siha disse para o Abençoado: "Quanto aos quatro frutos da generosidade visíveis no aqui e agora que foram apontados pelo Abençoado, não é o caso de que eu os aceite pela convicção no Abençoado. Eu os conheço também. Eu sou generoso, um mestre da generosidade, querido e estimado pelas pessoas em geral. Eu sou generoso, um mestre da generosidade; pessoas boas, pessoas íntegras me admiram. Eu sou generoso, um mestre da generosidade e minha fina reputação está amplamente difundida: 'Siha é generoso, ele faz, apóia a Sangha.' Eu sou generoso, um mestre da generosidade e quando me aproximo de uma assembléia de pessoas - Khattiyas, brâmanes, chefes de família, ou contemplativos - eu o faço com confiança e sem embaraço.
"Porém quando o Abençoado diz, 'Na dissolução do corpo, após a morte, aquele que é generoso, um mestre da generosidade, renasce num destino feliz, no paraíso.' Isso eu não sei. Isso eu aceito com base na convicção no Abençoado."
"Assim é, Siha. Assim é. Na dissolução do corpo, após a morte, aquele que é generoso, um mestre da generosidade, renasce num destino feliz, no paraíso."
Quem é generoso, é querido.
As pessoas em geral o admiram.
Ele obtém honras. O seu status aumenta.
Ele entra em uma assembléia desembaraçado.
Ele é confiante – aquele que não é mesquinho.
Por conseguinte aquele que é sábio provê oferendas.
 



Buscando a felicidade,
ele subjuga a mácula
 



da mesquinharia.
Estabelecido no paraíso,
ele desfruta por longo tempo,
em companhia dos devas.
Tendo criado a oportunidade para si mesmo,
tendo feito o que é hábil,
então quando ele parte daqui,
segue adiante, luminoso, em Nandana [o jardim dos devas].
Lá ele se delicia, desfruta, feliz,
pleno com os cinco elementos dos prazeres dos sentidos.
Tendo seguido as palavras do Sábio que é Assim,
ele desfruta do paraíso -
 



o discípulo do Abençoado.


 


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398 - Aññatitthiya Sutta - Errantes de Outras Seitas


Aññatitthiya Sutta

Errantes de Outras Seitas

Samyutta Nikaya XII.24



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Então, ao amanhecer, o venerável Sariputta se vestiu e tomando a tigela e o manto externo, foi até Rajagaha para esmolar alimentos. Então, o venerável Sariputta pensou: "Ainda é muito cedo para esmolar alimentos em Rajagaha. E se eu fosse até o parque dos errantes de outras seitas," e assim ele foi até o parque dos errantes de outras seitas e ao chegar eles se cumprimentaram. Quando a conversa amigável e cortês havia terminado, ele sentou a um lado. Os errantes lhe disseram: "Amigo Sariputta, existem alguns brâmanes e contemplativos que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor são produzidos pela própria pessoa. Existem outros brâmanes e contemplativos que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor são produzidos pelos outros. Depois existem outros brâmanes e contemplativos que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor são produzidos tanto pela própria pessoa como pelos outros. E depois existem ainda outros brâmanes e contemplativos que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor surgem ao acaso sem serem criados pela própria pessoa e tampouco pelos outros. Neste caso, amigo Sariputta, qual é a doutrina do Abençoado? O que ele ensina? Como poderei responder de acordo com aquilo que foi dito pelo Abençoado, sem deturpá-lo com algo contrário aos fatos? E como deverei explicar de acordo com o Dhamma, de tal modo que nada que dê margem à censura possa com legitimidade ser deduzido da minha declaração?" "O Abençoado, meu amigo, disse que o prazer e a dor possuem origem dependente. Dependente de que? Dependente do contato. Se alguém dissesse isso estaria falando o que foi dito pelo Abençoado e não o estaria deturpando com algo contrário aos fatos; estaria explicando de acordo com o Dhamma, de tal modo que nada que dê margem à censura possa com legitimidade ser deduzido da sua declaração. "No caso dos brâmanes e contemplativos que ensinem sobre o kamma e declarem que o prazer e a dor são produzidos pela própria pessoa; no caso dos brâmanes e contemplativos que ensinem sobre o kamma e declarem que o prazer e a dor são produzidos pelos outros; no caso dos brâmanes e contemplativos que ensinem sobre o kamma e declarem que o prazer e a dor são produzidos tanto pela própria pessoa como pelos outros; no caso dos brâmanes e contemplativos que ensinem sobre o kamma e declarem que o prazer e a dor surgem ao acaso sem serem criados pela própria pessoa e tampouco pelos outros - em cada um desses casos, o prazer e a dor estão condicionados pelo contato". "Que os brâmanes e contemplativos, que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor são produzidos pela própria pessoa, possam ser sensíveis ao prazer e à dor de outra forma que através do contato: isso não é possível. Que os brâmanes e contemplativos, que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor são produzidos pelos outros, possam ser sensíveis ao prazer e à dor de outra forma que através do contato: isso não é possível. Que os brâmanes e contemplativos, que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor são produzidos tanto pela própria pessoa como pelos outros, possam ser sensíveis ao prazer e à dor de outra forma que através do contato: isso não é possível. Que os brâmanes e contemplativos, que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor surgem ao acaso sem serem criados pela própria pessoa e tampouco pelos outros, possam ser sensíveis ao prazer e à dor de outra forma que através do contato: isso não é possível." Agora, ocorre que o venerável Ananda ouviu a conversa entre o venerável Sariputta e os errantes de outras seitas. Então ele foi até o Abençoado e ao chegar, depois de cumprimentá-lo, sentou a um lado e relatou toda a conversa para o Abençoado. (O Abençoado disse:) "Muito bem, Ananda. Alguém que responda da forma correta responderia como o venerável Sariputta respondeu. "Eu disse, Ananda, que o prazer e a dor possuem origem dependente. Dependente de que? Dependente do contato. Se alguém dissesse isso estaria falando o que foi dito por mim e não estaria me deturpando com algo contrário aos fatos; estaria explicando de acordo com o Dhamma, de tal modo que nada que dê margem à censura possa com legitimidade ser deduzido da sua declaração. "No caso dos brâmanes e contemplativos que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor são produzidos pela própria pessoa; no caso dos brâmanes e contemplativos que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor são produzidos pelos outros; no caso dos brâmanes e contemplativos que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor são produzidos tanto pela própria pessoa como pelos outros; no caso dos brâmanes e contemplativos que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor surgem ao acaso sem serem criados pela própria pessoa e tampouco pelos outros, em cada um desses casos, o prazer e a dor estão condicionados pelo contato". "Que os brâmanes e contemplativos, que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor são produzidos pela própria pessoa, possam ser sensíveis ao prazer e à dor de outra forma que através do contato: isso não é possível. Que os brâmanes e contemplativos, que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor são produzidos pelos outros, possam ser sensíveis ao prazer e à dor de outra forma que através do contato: isso não é possível. Que os brâmanes e contemplativos, que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor são produzidos tanto pela própria pessoa como pelos outros, possam ser sensíveis ao prazer e à dor de outra forma que através do contato: isso não é possível. Que os brâmanes e contemplativos, que ensinam sobre o kamma e declaram que o prazer e a dor surgem ao acaso sem serem criados pela própria pessoa e tampouco pelos outros, possam ser sensíveis ao prazer e à dor de outra forma que através do contato: isso não é possível." Certa ocasião, Ananda, eu estava aqui em Rajagaha, no Bambual, no Santuário dos Esquilos. Então, ao amanhecer, eu me vesti e tomando a tigela e o manto externo, fui até Rajagaha para esmolar alimentos. Então, eu pensei: "Ainda é muito cedo para esmolar alimentos em Rajagaha. E se eu fosse até o parque dos errantes de outras seitas," e assim eu fui até o parque dos errantes de outras seitas e ao chegar nós nos cumprimentamos. Quando a conversa amigável e cortês havia terminado, eu sentei a um lado. Os errantes me disseram: ... os errantes fazem exatamente as mesmas perguntas feitas a Sariputta e recebem respostas idênticas ... possam ser sensíveis ao prazer e à dor de outra forma que através do contato: isso não é possível." "Venerável senhor, é maravilhoso e admirável como todo significado pode ser resumido numa só frase! Pode esse mesmo significado ser dito em detalhe de um modo profundo e com implicações profundas? "Muito bem então Ananda, esclareça você mesmo o assunto." "Venerável senhor, se eu fosse perguntado: 'Amigo Ananda, qual a fonte do envelhecimento e morte, qual a sua origem, do que ele nasce e é produzido?' - sendo assim perguntado, eu responderia: 'Amigos, o envelhecimento e morte tem o nascimento como fonte, nascimento como origem, nasce e é produzido pelo nascimento.' Sendo perguntado, assim é como eu responderia. "Venerável senhor, se eu fosse perguntado: 'Amigo Ananda, qual a fonte do nascimento, qual a sua origem, do que ele nasce e é produzido?' - sendo assim perguntado, eu responderia: 'Amigos, o nascimento tem o ser/existir como fonte, ser/existir como origem, nasce e é produzido pelo ser/existir ... ser/existir tem o apego como fonte ... apego tem o desejo como fonte ... desejo tem a sensação como fonte ... sensação tem o contato como fonte ... contato tem as seis bases como fonte, seis bases como origem, nasce e é produzido pelas seis bases. Agora, do desaparecimento e cessação sem deixar vestígios das seis bases cessa o contato; da cessação do contato cessa a sensação; da cessação da sensação cessa o desejo; da cessação do desejo cessa o apego; da cessação do apego cessa o ser/existir, da cessação do ser/existir cessa o nascimento; da cessação do nascimento cessa o envelhecimento e morte, tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero, tudo cessa. Essa é a cessação de toda essa massa de sofrimento ' Sendo perguntado, assim é como eu responderia." 

 


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397 - Aññatarabrahmana Sutta - Um Certo Brâmane


Aññatarabrahmana Sutta

Um Certo Brâmane

Samyutta Nikaya XLVII.25



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Assim ouvi. Em certa ocasião, o Abençoado estava em Savatthi no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika. Então, um certo brâmane foi até o Abençoado e ambos se cumprimentaram. Quando a conversa cortês e amigável havia terminado ele sentou a um lado e disse:
"Mestre Gotama, qual é a causa e razão porque o verdadeiro Dhamma não perdura depois que um Tathagata tenha realizado o parinibbana? E qual é a causa e razão porque o verdadeiro Dhamma perdura depois que um Tathagata tenha realizado o parinibbana?"
"Brâmane, é porque esses quatro fundamentos da atenção plena não são desenvolvidos e cultivados que o verdadeiro Dhamma não perdura depois que um Tathagata tenha realizado o parinibbana. E é porque esses quatro fundamentos da atenção plena são desenvolvidos e cultivados que o verdadeiro Dhamma perdura depois que um Tathagata tenha realizado o parinibbana. Quais quatro? Neste caso, amigo, um bhikkhu permanece contemplando o corpo como um corpo, ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. Ele permanece contemplando as sensações como sensações ... mente como mente ... objetos mentais como objetos mentais, ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo.
Quando isso foi dito, aquele brâmane disse para o Abençoado: "Magnífico, Mestre Gotama! Magnífico, Mestre Gotama! Mestre Gotama esclareceu o Dhamma de várias formas, como se tivesse colocado em pé o que estava de cabeça para baixo, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para alguém que estivesse perdido ou segurasse uma lâmpada no escuro para aqueles que possuem visão pudessem ver as formas. Nós buscamos refúgio no Mestre Gotama, no Dhamma e na Sangha dos bhikkhus. Que o Mestre Gotama me aceite como o discípulo leigo que buscou refúgio para o resto da vida."


 


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396 - Bahuvedaniya Sutta - Os Muitos Tipos de Sensações


Bahuvedaniya Sutta

Os Muitos Tipos de Sensações

Majjhima Nikaya 59



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1. Assim ouvi. Em certa ocasião o Abençoado estava em Savatthi no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika.
2. Então o carpinteiro Pancakanga [1] foi até o venerável Udayin e depois de cumprimentá-lo sentou a um lado e perguntou:3. "Venerável senhor, quantos tipos de sensações foram declaradas pelo Abençoado?""Três tipos de sensações foram declaradas pelo Abençoado, chefe de família: sensações prazerosas, sensações dolorosas e sensações nem dolorosas, nem prazerosas. Esses três tipos de sensações foram declaradas pelo Abençoado.""Não foram três tipos de sensações declaradas pelo Abençoado, venerável Udayin; dois tipos de sensações foram declaradas pelo Abençoado: sensações prazerosas e sensações dolorosas. Essa sensação nem dolorosa, nem prazerosa foi declarada pelo Abençoado como um tipo de sensação pacífica e sublime."Uma segunda vez e uma terceira vez o venerável Udayin declarou a sua posição, e uma segunda e terceira vez o carpinteiro Pancakanga declarou a dele. Mas o venerável Udayin não pôde convencer o carpinteiro Pancakanga nem o carpinteiro Pancakanga pôde convencer o venerável Udayin.4. O venerável Ananda ouviu a conversa deles. Então ele foi até o Abençoado e depois de cumprimentá-lo sentou a um lado e relatou toda a conversa entre o venerável Udayin e o carpinteiro Pancakanga. Quando ele ele terminou, o Abençoado disse para o venerável Ananda:5. "Ananda, a apresentação de Udayin que o carpinteiro Pancakanga não quis aceitar foi de fato verdadeira e a apresentação do carpinteiro Pancakanga que Udayin não quis aceitar foi de fato verdadeira. Eu declarei dois tipos de sensações numa apresentação; eu declarei três tipos de sensações em outra apresentação; eu declarei cinco tipos de sensações em outra apresentação; eu declarei seis tipos de sensações em outra apresentação; eu declarei dezoito tipos de sensações em outra apresentação; eu declarei trinta e seis tipos de sensações em outra apresentação; eu declarei cento e oito tipos de sensações em outra apresentação.[2] Assim é como o Dhamma foi mostrado por mim em diferentes apresentações."Como o Dhamma foi assim mostrado por mim em diferentes apresentações, é de se esperar que aqueles que não admitem, permitem, nem aceitam aquilo que está bem declarado e bem dito pelos outros, se envolvam em rixas, brigas e discussões e apunhalem uns aos outros usando as palavras como adagas. Mas é de se esperar que aqueles que admitem, permitem e aceitam aquilo que está bem declarado e bem dito pelos outros, vivam em concórdia, com apreço mútuo, sem disputas, mesclando como leite e água, vendo um ao outro com bondade.6. "Ananda, existem esses cinco elementos do prazer sensual. Quais cinco? Formas percebidas pelo olho que são desejáveis, agradáveis e fáceis de serem gostadas, conectadas com o desejo sensual e que provocam a cobiça. Sons percebidos pelo ouvido ... Aromas percebidos pelo nariz ... Sabores percebidos pela língua ... Tangíveis percebidos pelo corpo que são desejáveis, agradáveis e fáceis de serem gostados, conectados com o desejo sensual e que provocam a cobiça. Agora o prazer e a alegria que surgem na dependência desses elementos do prazer sensual são chamados de prazer sensual.7. "Se alguém dissesse: 'Esse é o máximo em prazer e alegria que os seres experimentam,' eu não admitiria isso. Por que não? Porque existe um outro tipo de prazer mais elevado e mais sublime do que aquele prazer. E qual é esse outro tipo de prazer? Aqui, Ananda, um bhikkhu afastado dos prazeres sensuais, afastado das qualidades não hábeis, entra e permanece no primeiro jhana, que é caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos do afastamento. Esse é aquele outro tipo de prazer mais elevado e mais sublime que o anterior.8. "Se alguém dissesse: 'Esse é o máximo em prazer e alegria que os seres experimentam,' eu não admitiria isso. Por que não? Porque existe um outro tipo de prazer mais elevado e mais sublime do que aquele prazer. E qual é esse outro tipo de prazer? Aqui, Ananda, abandonando o pensamento aplicado e sustentado, um bhikkhu entra e permanece no segundo jhana, que é caracterizado pela segurança interna e perfeita unicidade da mente, sem o pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos da concentração. Esse é aquele outro tipo de prazer mais elevado e mais sublime que o anterior.9. "Se alguém dissesse ... E qual é esse outro tipo de prazer? Aqui, Ananda, abandonando o êxtase, um bhikkhu entra e permanece no terceiro jhana que é caracterizado pela felicidade sem o êxtase, acompanhada pela atenção plena, plena consciência e equanimidade, acerca do qual os nobres declaram: 'Ele permanece numa estada feliz, equânime e plenamente atento.' Esse é aquele outro tipo de prazer mais elevado e mais sublime que o anterior.10. "Se alguém dissesse ... E qual é esse outro tipo de prazer? Aqui, Ananda, com o completo desaparecimento da felicidade, um bhikkhu entra e permanece no quarto jhana, que possui nem felicidade nem sofrimento, com a atenção plena e a equanimidade purificadas. Esse é aquele outro tipo de prazer mais elevado e mais sublime que o anterior.[3]11. " Se alguém dissesse ... E qual é esse outro tipo de prazer? Aqui, Ananda, com a completa superação das percepções da forma, com o desaparecimento das percepções do contato sensorial, sem dar atenção às percepções da diversidade, consciente de que o 'espaço é infinito,' um bhikkhu entra e permanece na base do espaço infinito. Esse é aquele outro tipo de prazer mais elevado e mais sublime que o anterior.12. "Se alguém dissesse ... E qual é esse outro tipo de prazer? Aqui, Ananda, com a completa superação da base do espaço infinito, consciente de que a 'consciência é infinita,' um bhikkhu entra e permanece na base da consciência infinita. Esse é aquele outro tipo de prazer mais elevado e mais sublime que o anterior.13. "Se alguém dissesse ... E qual é esse outro tipo de prazer? Aqui, Ananda, com a completa superação da base da consciência infinita, consciente de que 'não há nada, ' um bhikkhu entra e permanece na base do nada. Esse é aquele outro tipo de prazer mais elevado e mais sublime que o anterior.14. "Se alguém dissesse ... E qual é esse outro tipo de prazer? Aqui, Ananda, com a completa superação da base do nada, um bhikkhu entra e permanece na base da nem percepção, nem não percepção. Esse é aquele outro tipo de prazer mais elevado e mais sublime que o anterior.15. "Se alguém dissesse: "Esse é o máximo em prazer e alegria que os seres experimentam,' eu não admitiria isso. Por que não? Porque existe um outro tipo de prazer mais elevado e mais sublime do que aquele prazer. E qual é esse outro tipo de prazer? Aqui, Ananda, com a completa superação da base da nem percepção, nem não percepção, um bhikkhu entra e permanece na cessação da percepção e sensação. Esse é aquele outro tipo de prazer mais elevado e mais sublime que o anterior.16. "É possível, Ananda, que os errantes de outras seitas possam dizer isto: 'O contemplativo Gotama fala da cessação da percepção e sensação e descreve isso como prazer. O que é isso e como é isso?' Aos errantes de outras seitas que falam isso deveria ser dito: 'Amigos. O Abençoado descreve o prazer não se referindo só à sensação prazerosa, mais do que isso, amigos, o Tathagata descreve como prazer todo tipo de prazer onde quer e em qualquer forma que ele seja encontrado." [4]Isso foi o que disse o Abençoado. O venerável Ananda ficou satisfeito e contente com as palavras do Abençoado.


Notas:
[1] Pancakanga, o carpinteiro do Rei Pasenadi de Kosala, era um discípulo devoto do Buda. Ele reaparece no MN 78 e MN 127. [Retorna]
[2] Os dois tipos de sensações são sensações no corpo e sensações na mente, ou, (de forma menos comum) os dois tipos mencionados por Pancakanga no verso 3. Os três tipos são os três mencionados por Udayin no verso 3. Os cinco tipos são as faculdades do prazer (corporal), alegria (mental), dor (corporal), tristeza (mental) e equanimidade. Os seis tipos são as sensações que nascem à partir das seis faculdades dos sentidos. Os dezoito tipos são os dezoito tipos de examinação mental – investigando os seis objetos dos sentidos que podem produzir a alegria, produzir a tristeza e produzir a equanimidade (veja MN 137.8). Os trinta e seis tipos são os trinta e seis estados (ou posições) dos seres – os seis tipos de alegria, tristeza e equanimidade cada um baseado ou na vida em família ou na renúncia (veja MN 137.9-15). Os cento e oito tipos são os trinta e seis mencionados a pouco considerados em referência ao passado, presente e futuro. Veja também o SN XXXVI.22 [Retorna]
[3] MA indica que ao dizer que a sensação nem dolorosa, nem prazerosa do quarto jhana é um tipo de prazer, o Buda de forma implícita endossa a idéia apresentada por Pancakanga.[Retorna]
[4] MA: Ambos o prazer sentido e o prazer não sentido são encontrados (sendo este último o prazer que faz parte da realização da cessação). O Tathagata descreve ambos como prazer no sentido de que eles não possuem sofrimento, (niddukkhabhava).[Retorna]


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395 - Kukkuravatika Sutta - O Contemplativo Nu com Deveres de Cão


Kukkuravatika Sutta

O Contemplativo Nu com Deveres de Cão

Majjhima Nikaya 57



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Introdução (por Bhikkhu Khantipalo)
Havia pessoas muito estranhas na época do Buda que acreditavam em coisas muito estranhas – porém não é muito diferente dos nossos dias de hoje em que as pessoas ainda acreditam nas idéias mais estranhas e desequilibradas. Neste sutta encontramos pessoas que acreditavam que imitando animais elas seriam salvas. Talvez elas ainda se encontrem entre nós!
Freqüentemente crença é uma coisa, ação outra. Enquanto para algumas pessoas as crenças às vezes influenciam as ações, para outras pessoas as suas crenças estão bem separadas do que elas fazem. Mas o Buda disse que todas ações intencionais, quer sejam pensamentos, linguagem ou ações corporais, não importa como sejam expressadas, são kamma e conduzem aquele que comete a ação a experimentar uma conseqüência cedo ou tarde. Neste sutta o Buda classifica kamma em quatro grupos:
(i) escuro com um resultado sombrio,
(ii) claro com um resultado luminoso,
(iii) escuro e claro com um resultado sombrio e luminoso,
(iv) nem escuro nem claro com um resultado nem sombrio nem luminoso. Kamma escuro (prejudicial) não tem um resultado luminoso (feliz), nem o kamma claro (benéfico) tem um resultado sombrio (infeliz). O Kamma pode ser misto, em que uma ação é cometida por uma variedade de motivos, alguns benéficos, alguns prejudiciais. E o tipo de kamma que abre mão do apego e interesse pelos outros três também existe e assim conduz para além do alcance do kamma.


1. Assim ouvi. Em certa ocasião o Abençoado estava entre os Koliyas em uma cidade denominada Haliddavasana.
2. Então Punna, um filho dos Koliyas e um contemplativo com deveres de boi e também Seniya um contemplativo nu com deveres de cão, foram até o Abençoado. [1] Punna, o contemplativo com deveres de boi cumprimentou o Abençoado e sentou a um lado, enquanto que Seniya o contemplativo nu com deveres de cão cumprimentou o Abençoado, e quando a conversa cortês e amigável havia terminado, ele também ficou a um lado enrolado como um cão. Punna, o contemplativo com deveres de boi, perguntou ao Abençoado: "Venerável senhor, este Seniya é um contemplativo nu com deveres de cão que faz tudo aquilo que é difícil: ele come a comida que é jogada no chão. Ele adotou e pratica os deveres de cão há muito tempo. Qual será o seu destino? Qual será o seu futuro percurso?"
"Já chega, Punna, deixe isso para lá. Não me pergunte isso."
Uma segunda vez ...Uma terceira vez Punna, o contemplativo com deveres de boi disse para o Abençoado: "Venerável senhor, este Seniya, é um contemplativo nu com deveres de cão que faz tudo aquilo que é difícil: ele come a comida que é jogada no chão. Ele adotou e pratica os deveres de cão há muito tempo Qual será o seu destino? Qual será o seu futuro percurso?"
"Bem, Punna, já que eu certamente não consigo persuadi-lo quando digo 'Já chega, Punna, deixe isso para lá. Não me pergunte isso,' eu então responderei.
3. "Aqui, Punna, alguém desenvolve os deveres de um cão completamente e sem interrupção, ele desenvolve os hábitos de um cão completamente e sem interrupção, ele desenvolve a mente de um cão completamente e sem interrupção, ele desenvolve o comportamento de um cão completamente e sem interrupção. Tendo feito isso, na dissolução do corpo, após a morte, ele renasce na companhia de cães. Porém se a sua opinião é esta: 'Por essa virtude ou dever ou ascetismo ou vida religiosa eu me tonarei um (grande) deva ou algum deva (de menor importância),' esse é um entendimento incorreto. Agora, eu digo, existem duas destinações para uma pessoa com o entendimento incorreto: o inferno ou o ventre animal. [2] Assim, Punna, se o dever de um cão for aperfeiçoado, o levará para a companhia de cães; se não for, o levará para o inferno."
4. Quando isto foi dito, Seniya o contemplativo nu com deveres de cão chorou e derramou lágrimas. Então o Abençoado disse a Punna, filho dos Koliyas e contemplativo com deveres de boi: "Punna, eu não consegui persuadi-lo quando disse 'Já chega, Punna, deixe isso para lá. Não me pergunte isso."
[Então Seniya, o contemplativo nu com deveres de cão disse:] "Venerável senhor, eu não estou chorando porque o Abençoado disse isso a meu respeito, mas porque este dever de cão foi adotado e praticado por mim por muito tempo. Venerável senhor, esse Punna, um filho dos Koliyas é um contemplativo com deveres de boi. Ele adotou e pratica os deveres de boi há muito tempo. Qual será o seu destino? Qual será o seu percurso futuro?"
"Já chega, Seniya, deixe isso para lá. Não me pergunte isso." Uma segunda vez ... Uma terceira vez Seniya, o contemplativo nu com deveres de cão perguntou ao Abençoado: "Venerável senhor, ali está Punna, um filho dos Koliyas e contemplativo com deveres de boi; ele adotou e pratica os deveres de boi há muito tempo. Qual será o seu destino? Qual será o seu futuro percurso?"
"Bem, Seniya, já que eu certamente não consigo persuadi-lo quando digo 'Já chega, Seniya, deixe isso para lá. Não me pergunte isso,' eu então responderei."
5. "Aqui, Seniya, alguém desenvolve os deveres de um boi completamente e sem interrupção, ele desenvolve os hábitos de um boi completamente e sem interrupção, ele desenvolve a mente de um boi completamente e sem interrupção, ele desenvolve o comportamento de um boi completamente e sem interrupção. Tendo feito isso, na dissolução do corpo, após a morte, ele renasce na companhia de bois. Mas se a sua opinião é esta: 'Por essa virtude ou dever ou ascetismo ou vida religiosa eu me tonarei um (grande) deva ou algum deva (de menor importância),' esse é um entendimento incorreto. Agora, eu digo, existem duas destinações para uma pessoa com o entendimento incorreto: o inferno ou o ventre animal. Assim, Seniya, se o dever de um boi for aperfeiçoado, o levará para a companhia de bois; se não for, o levará para o inferno."
6. Quando isto foi dito, Punna, o filho dos Koliyas com deveres de boi chorou e derramou lágrimas. Então o Abençoado disse a Seniya o contemplativo nu com deveres de cão: "Seniya, eu não consegui persuadi-lo quando disse 'Já chega, Seniya, deixe isso para lá. Não me pergunte isso."
[Então, Punna, o contemplativo com deveres de boi disse:] "Venerável senhor, eu não estou chorando porque o Abençoado disse isso a meu respeito, mas porque este dever de boi foi adotado e praticado por mim por muito tempo. Venerável senhor, eu tenho confiança no Abençoado, portanto: 'O Abençoado é capaz de me ensinar o Dhamma de tal forma que eu possa abandonar esse dever de boi e que Seniya, o contemplativo nu com deveres de cão, possa abandonar esse dever de cão?'"
"Então, Punna, ouça e preste muita atenção àquilo que eu vou dizer."
"Sim, venerável senhor," ele respondeu. O Abençoado disse isto:
7. "Punna, existem quatro tipos de ações proclamadas por mim após tê-las compreendido por mim mesmo com conhecimento direto. Quais quatro? Existe a ação escura com um resultado sombrio, existe a ação clara com resultado luminoso, existe a ação escura e clara com resultado sombrio e luminoso, e existe a ação que não é escura nem clara com resultado nem sombrio, nem luminoso, ação que conduz à destruição da ação.
8. "E o que, Punna, é ação escura com resultado sombrio? Aqui alguém gera uma formação corporal aflitiva, uma formação verbal aflitiva, uma formação mental aflitiva. [3] Tendo gerado uma formação corporal aflitiva, uma formação verbal aflitiva, uma formação mental aflitiva, ele renasce em um mundo com aflição. [4] Quando ele renasce em um mundo com aflição, contatos aflitivos o tocam. Sendo tocado por contatos aflitivos, ele sente sensações aflitivas, extremamente dolorosas como no caso de seres no inferno. Assim o renascimento de um ser se deve ao próprio ser: [5] ele renasce devido às ações que realizou. Quando ele renasce, contatos o tocam. Assim eu digo que os seres são os herdeiros das suas ações. A isto se denomina ação escura com resultado sombrio.
9. "E o que, Punna, é ação clara com resultado luminoso? Aqui alguém gera uma formação corporal sem aflição, uma formação verbal sem aflição, uma formação mental sem aflição. [6] Tendo gerado uma formação corporal sem aflição, uma formação verbal sem aflição, uma formação mental sem aflição, ele renasce num mundo sem aflição.[7] Quando ele renasce num mundo sem aflição, contatos sem aflição o tocam. Sendo tocado por contatos sem aflição, ele sente sensações sem aflição, extremamente prazerosas como no caso dos devas Subhakinna. Assim o renascimento de um ser se deve ao próprio ser: ele renasce devido às ações que realizou. Quando ele renasce, contatos o tocam. Assim eu digo que os seres são os herdeiros das suas ações. A isto se denomina ação clara com resultado luminoso.
10. "E o que, Punna, é ação escura e clara com resultado sombrio e luminoso? Aqui alguém gera uma formação corporal que é tanto aflitiva como sem aflição, uma formação verbal que é tanto aflitiva como sem aflição, uma formação mental que é tanto aflitiva como sem aflição.[8] Tendo gerado uma formação corporal que é tanto aflitiva como sem aflição, uma formação verbal que é tanto aflitiva como sem aflição, uma formação mental que é tanto aflitiva como sem aflição, ele renasce num mundo que é tanto aflitivo como sem aflição. Quando ele renasce num mundo que é tanto aflitivo como sem aflição, contatos que são tanto aflitivos como sem aflição o tocam. Sendo tocado por contatos que são tanto aflitivos como sem aflição, ele sente sensações que são tanto aflitivas como sem aflição, prazer e dor misturados, como no caso dos seres humanos e alguns devas e alguns seres nos mundos inferiores. Assim o renascimento de um ser se deve ao próprio ser: ele renasce devido às ações que realizou. Quando ele renasce, contatos o tocam. Assim eu digo que os seres são os herdeiros das suas ações. A isto se denomina ação escura e luminosa com resultado sombrio e radiante
11. "E o que, Punna, é ação que não é escura nem clara com resultado nem sombrio, nem luminoso, ação que conduz à exaustão da ação? Nisto, a volição de abandonar o tipo de ação que é escura com resultado sombrio, a volição de abandonar o tipo de ação clara com resultado luminoso e a volição de abandonar o tipo de ação que é escura e clara com resultado sombrio e luminoso: a isto se denomina a ação que não é escura nem clara com resultado nem sombrio nem luminoso, ação que conduz à destruição da ação. [9] Essas são os quatro tipos de ações proclamadas por mim após tê-las realizado por mim mesmo com conhecimento direto."
12. Quando isto foi dito, Punna, um filho dos Koliyas e contemplativo com deveres de boi, disse ao Abençoado: "Magnífico, venerável senhor! Magnífico, venerável senhor! O Abençoado esclareceu o Dhamma de várias formas como se tivesse colocado em pé o que estava de cabeça para baixo, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para alguém que estivesse perdido ou segurasse uma lâmpada no escuro para aqueles que possuem visão pudessem ver as formas. Eu busco refúgio no Abençoado, no Dhamma e na Sangha dos bhikkhus. Que a partir de hoje o Abençoado me aceite como um discípulo leigo que tomou refúgio para o resto da vida."
13. Porém Seniya o contemplativo nu com deveres de cão disse ao Abençoado: "Magnífico, venerável senhor! Magnífico, venerável senhor! O Abençoado esclareceu o Dhamma de várias formas, como se tivesse colocado em pé o que estava de cabeça para baixo, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para alguém que estivesse perdido ou segurasse uma lâmpada no escuro para aqueles que possuem visão pudessem ver as formas. Eu busco refúgio no Abençoado, no Dhamma e na Sangha dos bhikkhus. Eu receberia a admissão na vida santa sob o Abençoado e a admissão completa.
14. "Seniya, quem pertencia anteriormente a uma outra seita e que quer ser admitido na vida santa e a admissão completa neste Dhamma e Disciplina terá um período de noviciado de quatro meses.[10] Ao final dos quatro meses se os bhikkhus estiverem satisfeitos com ele, eles lhe darão a admissão na vida santa e também a admissão completa como bhikkhu. Eu reconheço diferenças entre indivíduos neste assunto." [11]
"Venerável senhor, se aqueles que pertenceram anteriormente a uma outra seita querem a admissão na vida santa e a admissão completa nesse Dhamma e Disciplina vivem como noviços durante quatro meses e ao final dos quatro meses os bhikkhus que estiverem satisfeitos com ele lhe darão admissão na vida santa e também a admissão completa como bhikkhu, eu viverei como noviço durante quatro anos. Ao final dos quatro anos, se os bhikkhus estiverem satisfeitos, que me dêem a admissão na vida santa e a admissão completa como bhikkhu"
18. Então Seniya o contemplativo nu com deveres de cão recebeu a admissão na vida santa sob o Abençoado e ele recebeu a admissão completa como bhikkhu. E não muito tempo depois da sua admissão completa, permanecendo só, isolado, diligente, ardente e decidido, o venerável Seniya, alcançou e permaneceu no objetivo supremo da vida santa pelo qual membros de um clã deixam a vida em família pela vida santa, tendo conhecido e realizado por si mesmo no aqui e agora. Ele soube: "O nascimento foi destruído, a vida santa foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, não há mais vir a ser a nenhum estado." E assim o venerável Seniya tornou-se mais um dos Arahants.


Notas:
[1] MA: Punna usava chifres na cabeça, amarrava um rabo nas costas e pastava juntos com as vacas. Seniya agia tipicamente como um cão [Retorna]
[2] Deve ser notado que uma prática ascética incorreta tem conseqüências menos severas quando é feita sem entendimento incorreto do que quando é acompanhada do entendimento incorreto. Embora poucos nos dias de hoje assumam a prática do contemplativo com deveres de um cão, muitos outros estilos de vida depravados têm se tornado freqüentes e, na medida em que eles sejam justificados pelo entendimento incorreto, as suas conseqüências serão muito mais danosas. [Retorna]
[3] Sabyagajjham kayasankharam (vasisankharam, manosankharam) abhisankharoti. Aqui uma "formação corporal aflitiva" pode ser entendida como a volição responsável pelos três tipos de ações prejudiciais com o corpo; uma "formação verbal aflitiva" é a volição responsável pelos quatro tipos de ação verbal prejudiciais; e uma "formação mental aflitiva" é a volição responsável pelos três tipos de ação mental prejudiciais. Veja o MN 9.4. [Retorna]
[4] Ele renasce em um dos estados de privação – inferno, o reino animal ou o mundo dos fantasmas. [Retorna]
[5] Bhuta bhutassa upapatti hoti. MA: Os seres renascem através das ações que realizam e de maneiras que se ajustam a essas ações. As implicações desta tese são exploradas em mais detalhe no MN 135 e MN 136. [Retorna]
[6] Aqui se entende a volição responsável pelos dez tipos de ações benéficas juntamente com a volição dos jhanas. [Retorna]
[7] Ele renasce nos mundos dos devas. [Retorna]
[8] Estritamente, nenhuma ação volitiva pode ser ao mesmo tempo benéfica e prejudicial, pois a volição responsável pela ação tem que ser uma ou outra. Dessa forma aqui devemos entender que o ser engaja em uma mistura de ações benéficas e prejudiciais, nenhuma das quais é particularmente predominante. [Retorna]
[9] MA: essa é a volição dos quatro caminhos supramundanos que culminam com o arahant. Embora o arahant execute ações, as suas ações não possuem mais nenhum poder cármico para gerar uma nova existência ou para gerar resultados na presente existência. [Retorna]
[10] MA explica que pabbajja, 'admitido na vida santa', é aqui mencionado como uma figura de linguagem. Na realidade ele é admitido na vida santa antes do período de noviciado e então vive como noviço durante quatro meses antes de ter o direito a receber upasampada, a admissão completa na Sangha. [Retorna]
[11] MA: O Buda pode decidir: "Esta pessoa deve viver como noviço, esta pessoa não precisa viver como noviço". [Retorna]


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394 - Apannaka Sutta - O Ensinamento Incontrovertível


Apannaka Sutta

O Ensinamento Incontrovertível

Majjhima Nikaya 60



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1. Assim ouvi. Em certa ocasião o Abençoado estava perambulando por Kosala com uma grande sangha de bhikkhus até que por fim acabou chegando em um vilarejo brâmane denominado Sala.
2. Os brâmanes chefes de família de Sala ouviram: "Gotama o contemplativo, o filho dos Sakyas, que adotou a vida santa deixando o clã dos Sakyas, que andava perambulando em Kosala com um grande número de bhikkhus chegou em Sala. E acerca desse mestre Gotama existe essa boa reputação: 'Esse Abençoado é um arahant, perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um líder insuperável de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, desperto, sublime. Ele declara - tendo realizado por si próprio com o conhecimento direto - este mundo com os seus devas, maras e brahmas, esta população com seus contemplativos e brâmanes, seus príncipes e o povo. Ele ensina o Dhamma com o significado e fraseado corretos, que é admirável no início, admirável no meio, admirável no final; e ele revela uma vida santa que é completamente perfeita e imaculada. É bom poder encontrar alguém tão nobre.'
3. Assim, os brâmanes chefes de família de Sala se dirigiram ao Abençoado. Alguns homenagearam o Abençoado e sentaram a um lado; alguns trocaram saudações corteses com ele e após a troca de saudações sentaram a um lado; alguns ajuntaram as mãos em respeitosa saudação e sentaram a um lado; alguns anunciaram o seu nome e clã e sentaram a um lado. Alguns permaneceram em silêncio e sentaram a um lado.
4. Ao estarem sentados, o Abençoado perguntou: "Chefes de família, existe algum mestre que lhes agrade, no qual vocês tenham adquirido fé suportada pela razão?" [1]
"Não, venerável senhor, não existe um mestre que nos agrade e no qual tenhamos adquirido fé suportada pela razão."
"Já que, chefes de família, vocês não encontraram um mestre que lhes agrade, vocês poderiam adotar e praticar este ensinamento incontrovertível; [2] pois se o ensinamento incontrovertível for aceito e praticado, irá conduzir ao seu bem-estar e felicidade por muito tempo. E qual é o ensinamento incontrovertível? [3]
(I. A Doutrina do Niilismo)
5. (A) "Chefes de família, existem alguns contemplativos e brâmanes cuja doutrina e entendimento é o seguinte: 'Não existe nada que é dado, nada que é oferecido, nada que é sacrificado; não existe fruto ou resultado de ações boas ou más; não existe este mundo nem outro mundo; não existe mãe nem pai; nenhum ser que renasça espontaneamente; não existem no mundo brâmanes nem contemplativos bons e virtuosos que, após terem conhecido e compreendido diretamente por eles mesmos, proclamam este mundo e o próximo.' [4]
6. (B) "Agora, existem alguns contemplativos e brâmanes cuja doutrina é diretamente oposta à doutrina daqueles contemplativos e brâmanes e eles dizem o seguinte: 'Existe aquilo que é dado e o que é oferecido e o que é sacrificado; existe fruto e resultado de boas e más ações; existe este mundo e o outro mundo; existe a mãe e o pai; existem seres que renascem espontaneamente; existem no mundo brâmanes e contemplativos bons e virtuosos que, após terem conhecido e compreendido diretamente por eles mesmos, proclamam este mundo e o próximo.' O que vocês pensam, chefes de família? Esses contemplativos e brâmanes não possuem doutrinas diretamente opostas?" – "Sim, venerável senhor."
7. (A.i) "Agora, chefes de família, daqueles contemplativos e brâmanes cuja doutrina e entendimento é este: 'Não existe nada que é dado ... não existem no mundo brâmanes nem contemplativos bons e virtuosos que, após terem conhecido e compreendido diretamente por eles mesmos, proclamam este mundo e o próximo,' é de se esperar que eles evitem aqueles três estados benéficos, isto é, a boa conduta corporal, a boa conduta verbal e a boa conduta mental e que eles adotem e pratiquem aqueles três estados prejudiciais, isto é, a má conduta corporal, a má conduta verbal e a má conduta mental. Por que isso? Porque esses contemplativos e brâmanes não vêm nos estados prejudiciais o perigo, a degradação e a contaminação, nem vêm nos estados benéficos as vantagens da renúncia, a eliminação das contaminações.
8. (A.ii) "Como na verdade existe um outro mundo, aquele que entender que 'não existe outro mundo' possui o entendimento incorreto. Como na verdade existe um outro mundo, aquele que pensar que 'não existe outro mundo' possui o pensamento incorreto. Como na verdade existe um outro mundo, aquele que afirmar que 'não existe outro mundo' possui a linguagem incorreta. Como na verdade existe um outro mundo, aquele que disser que 'não existe outro mundo' se opõe àqueles arahants que conhecem o outro mundo. Como na verdade existe um outro mundo, aquele que convencer alguém que 'não existe outro mundo' o estará convencendo a aceitar o Dhamma que não é verdadeiro; e porque ele convence alguém a aceitar um Dhamma que não é verdadeiro, ele elogia a si mesmo e menospreza os outros. Dessa forma, qualquer virtude pura que ele possuísse antes é abandonada e substituída pela conduta corrompida. [5] O entendimento incorreto, pensamento incorreto, linguagem incorreta, a oposição aos nobres, o convencer alguém a aceitar o Dhamma que não é verdadeiro, o elogiar a si mesmo e menosprezar os outros – todos esses estados ruins e prejudiciais surgem, portanto, tendo o entendimento incorreto como sua condição.
9. (A.iii) "Com relação a isso um homem sábio considera da seguinte forma: 'Se não existir um outro mundo, então na dissolução do corpo essa pessoa terá assegurado o seu bem-estar. [6] Mas se existir um outro mundo, então na dissolução do corpo, após a morte, ela irá renascer num estado de privação, num destino infeliz, nos reinos inferiores, até mesmo no inferno. Agora, sendo ou não verdadeiras as palavras daqueles contemplativos e brâmanes vou assumir que não existe um outro mundo: nesse caso, essa pessoa é censurada aqui e agora pelos sábios como uma pessoa imoral, alguém que possui o entendimento incorreto, que segue a doutrina do niilismo. [7] Mas por outro lado, se existe um outro mundo, então essa pessoa fez uma jogada infeliz pelos dois lados: visto que ela é censurada pelos sábios aqui e agora e que na dissolução do corpo, após a morte, ela irá renascer num estado de privação, num destino infeliz, nos reinos inferiores, até mesmo no inferno. Ela aceitou e colocou em prática o ensinamento incontrovertível incorretamente de tal forma que apenas um lado está coberto e exclui a alternativa benéfica.' [8]
10. (B.i) "Agora, chefes de família, daqueles contemplativos e brâmanes cuja doutrina e entendimento é este: 'Existe aquilo que é dado ... existem no mundo brâmanes e contemplativos bons e virtuosos que, após terem conhecido e compreendido diretamente por eles mesmos, proclamam este mundo e o próximo,' é de se esperar que eles evitem aqueles três estados prejudiciais, isto é, a má conduta corporal, a má conduta verbal e a má conduta mental e que eles adotem e pratiquem aqueles três estados benéficos, isto é, a boa conduta corporal, a boa conduta verbal e a boa conduta mental. Por que isso? Porque esses contemplativos e brâmanes vêm nos estados prejudiciais o perigo, a degradação e a contaminação, e nos estados benéficos as vantagens da renúncia, a eliminação das contaminações.
11. (B.ii) "Como na verdade existe um outro mundo, aquele que entender que 'existe outro mundo' possui o entendimento correto. Como na verdade existe um outro mundo, aquele que pensar que 'existe outro mundo' possui o pensamento correto. Como na verdade existe um outro mundo, aquele que afirmar que 'existe outro mundo' possui a linguagem correta. Como na verdade existe um outro mundo, aquele que disser que 'existe outro mundo' não se opõe àqueles arahants que conhecem o outro mundo. Como na verdade existe um outro mundo, aquele que convencer alguém que 'existe outro mundo' o estará convencendo a aceitar o Dhamma que é verdadeiro; e porque ele convence alguém a aceitar o Dhamma que é verdadeiro, ele não elogia a si mesmo e menospreza os outros. Dessa forma, qualquer conduta corrompida que ele possuísse antes é abandonada e substituída pela virtude pura. O entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, a não oposição aos nobres, o convencer alguém a aceitar o Dhamma que é verdadeiro, o não elogiar a si mesmo e menosprezar os outros – todos esses estados benéficos surgem, portanto, tendo o entendimento correto como sua condição.
12. (B.iii) "Com relação a isso um homem sábio considera da seguinte forma: 'Se existe um outro mundo, então na dissolução do corpo, após a morte, essa pessoa irá renascer num destino feliz, até mesmo no paraíso. Agora, sendo ou não verdadeiras as palavras daqueles contemplativos e brâmanes vou assumir que não existe um outro mundo: nesse caso, essa pessoa é elogiada aqui e agora pelos sábios como sendo uma pessoa virtuosa, alguém que possui o entendimento correto, que segue a doutrina da afirmação.[9] Mas por outro lado, se existe um outro mundo, então essa pessoa fez uma jogada feliz pelos dois lados: visto que ela é elogiada pelos sábios aqui e agora e que na dissolução do corpo, após a morte, ela irá renascer num destino feliz, até mesmo no paraíso. Ela aceitou e colocou em prática o ensinamento incontrovertível corretamente de tal forma que ambos os lados estão cobertos e exclui a alternativa prejudicial.' [10]
(II. A Doutrina da Não Ação)
13. (A) "Chefes de família, existem alguns contemplativos e brâmanes cuja doutrina e entendimento é o seguinte: [11] 'Agindo ou fazendo com que outros ajam, mutilando ou fazendo com que outros mutilem, torturando ou fazendo com que outros torturem, causando sofrimento ou fazendo com que outros causem sofrimento, atormentando ou fazendo com que outros atormentem, intimidando ou fazendo com que outros intimidem, matando, tomando o que não é dado, arrombando casas, pilhando riquezas, roubando, emboscando nas estradas, cometendo adultério, dizendo mentiras - a pessoa não faz o mal. Se com um lâmina afiada como uma navalha alguém convertesse todos os seres vivos sobre a terra num único amontoado de carne, uma única pilha de carne, por causa disso não haveria mal e nenhum resultado do mal. Mesmo se alguém fosse ao longo da margem direita do rio Gânges, matando e fazendo com que outros matem, mutilando e fazendo com que outros mutilem, torturando e fazendo com que outros torturem, por causa disso não haveria mal e nenhum resultado do mal. Mesmo se alguém fosse ao longo da margem esquerda do rio Gânges, dando dádivas e fazendo com que outros dêem dádivas, dando oferendas e fazendo com que outros dêem oferendas, por causa disso não haveria mérito e nenhum resultado do mérito. Através da generosidade, do autocontrole, da contenção e dizendo a verdade não há mérito por essa causa, nenhum resultado do mérito.
14. (B) "Agora, existem alguns contemplativos e brâmanes cuja doutrina é diretamente oposta à doutrina daqueles contemplativos e brâmanes e eles dizem o seguinte: 'Agindo ou fazendo com que outros ajam, mutilando ou fazendo com que outros mutilem…dizendo mentiras - a pessoa faz o mal. Se com um lâmina afiada como uma navalha alguém convertesse todos os seres vivos sobre a terra num único amontoado de carne, uma única pilha de carne, por causa disso haveria mal e resultado do mal. Se alguém fosse ao longo da margem direita do rio Gânges, matando e fazendo com que outros matem, mutilando e fazendo com que outros mutilem, torturando e fazendo com que outros torturem, por causa disso haveria mal e resultado do mal. Se alguém fosse ao longo da margem esquerda do rio Gânges, dando dádivas e fazendo com que outros dêem dádivas, dando oferendas e fazendo com que outros dêem oferendas, por causa disso haveria mérito e resultado do mérito. Através da generosidade, do autocontrole, da contenção e dizendo a verdade há mérito por essa causa, resultado do mérito.' O que vocês pensam, chefes de família? Esses contemplativos e brâmanes não possuem doutrinas diretamente opostas?" – "Sim, venerável senhor."
15. (A.i) "Agora, chefes de família, daqueles contemplativos e brâmanes cuja doutrina e entendimento é este: 'Agindo ou fazendo com que outros ajam ... não existe mérito e nenhum resultado do mérito,' é de se esperar que eles evitem aqueles três estados benéficos, isto é, a boa conduta corporal, a boa conduta verbal e a boa conduta mental e que eles adotem e pratiquem aqueles três estados prejudiciais, isto é, a má conduta corporal, a má conduta verbal e a má conduta mental. Por que isso? Porque esses contemplativos e brâmanes não vêm nos estados prejudiciais o perigo, a degradação e a contaminação, nem vêm nos estados benéficos as vantagens da renúncia, a eliminação das contaminações.
16. (A.ii) "Como na verdade existe a ação, aquele que entender que 'não existe a ação' possui o entendimento incorreto. Como na verdade existe a ação, aquele que pensar que 'não existe a ação' possui o pensamento incorreto. Como na verdade existe a ação, aquele que afirmar que 'não existe a ação' possui a linguagem incorreta. Como na verdade existe a ação, aquele que disser que 'não existe a ação' se opõe àqueles arahants que possuem a doutrina de que existe a ação. Como na verdade existe a ação, aquele que convencer alguém que 'não existe a ação' o estará convencendo a aceitar o Dhamma que não é verdadeiro; e porque ele convence alguém a aceitar um Dhamma que não é verdadeiro, ele elogia a si mesmo e menospreza os outros. Dessa forma, qualquer virtude pura que ele possuísse antes é abandonada e substituída pela conduta corrompida. O entendimento incorreto, pensamento incorreto, linguagem incorreta, a oposição aos nobres, o convencer alguém a aceitar o Dhamma que não é verdadeiro, o elogiar a si mesmo e menosprezar os outros – todos esses estados ruins e prejudiciais surgem, portanto, tendo o entendimento incorreto como sua condição.
17. (A.iii) "Com relação a isso um homem sábio considera da seguinte forma: 'Se não existe a ação, então na dissolução do corpo essa pessoa terá assegurado o seu bem estar. Mas se existir a ação, então na dissolução do corpo, após a morte, ela irá renascer num estado de privação, num destino infeliz, nos reinos inferiores, até mesmo no inferno. Agora, sendo ou não verdadeiras as palavras daqueles contemplativos e brâmanes vou assumir que não existe a ação: nesse caso, essa pessoa é censurada aqui e agora pelos sábios como sendo uma pessoa imoral, alguém que possui o entendimento incorreto, que segue a doutrina da não ação. Mas por outro lado, se existe a ação, então essa pessoa fez uma jogada infeliz pelos dois lados: visto que ela é censurada pelos sábios aqui e agora e que na dissolução do corpo, após a morte, ela irá renascer num estado de privação, num destino infeliz, nos reinos inferiores, até mesmo no inferno. Ela aceitou e colocou em prática o ensinamento incontrovertível incorretamente de tal forma que apenas um lado está coberto e exclui a alternativa benéfica.'
18. (B.i) "Agora, chefes de família, daqueles contemplativos e brâmanes cuja doutrina e entendimento é este: 'Agindo ou fazendo com que outros ajam ... existe mérito e resultado do mérito,' é de se esperar que eles evitem aqueles três estados prejudiciais, isto é, a má conduta corporal, a má conduta verbal e a má conduta mental e que eles adotem e pratiquem aqueles três estados benéficos, isto é, a boa conduta corporal, a boa conduta verbal e a boa conduta mental. Por que isso? Porque esses contemplativos e brâmanes vêm nos estados prejudiciais o perigo, a degradação e a contaminação, e nos estados benéficos as vantagens da renúncia, a eliminação das contaminações.
19. (B.ii) "Como na verdade existe a ação, aquele que entender que 'existe a ação' possui o entendimento correto. Como na verdade existe a ação, aquele que pensar que 'existe a ação' possui o pensamento correto. Como na verdade existe a ação, aquele que afirmar que 'existe a ação' possui a linguagem correta. Como na verdade existe a ação, aquele que disser que 'existe a ação' ele não se opõe àqueles arahants que possuem a doutrina de que existe a ação. Como na verdade existe a ação, aquele que convencer alguém que 'existe a ação' o estará convencendo a aceitar o Dhamma que é verdadeiro; e porque ele convence alguém a aceitar o Dhamma que é verdadeiro, ele não elogia a si mesmo e menospreza os outros. Dessa forma, qualquer conduta corrompida que ele possuísse antes é abandonada e substituída pela virtude pura. O entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, a não oposição aos nobres, o convencer alguém a aceitar o Dhamma que é verdadeiro, o não elogiar a si mesmo e menosprezar os outros – todos esses estados benéficos surgem, portanto, tendo o entendimento correto como sua condição.
20. (B.iii) "Com relação a isso um homem sábio considera da seguinte forma: 'Se existe a ação, então na dissolução do corpo, após a morte, essa pessoa irá renascer num destino feliz, até mesmo no paraíso. Agora, sendo ou não verdadeiras as palavras daqueles contemplativos e brâmanes vou assumir que não existe a ação: nesse caso, essa pessoa é elogiada aqui e agora pelos sábios como sendo uma pessoa virtuosa, alguém que possui o entendimento correto, que segue a doutrina da ação. Mas por outro lado, se existe a ação, então essa pessoa fez uma jogada feliz pelos dois lados: visto que ela é elogiada pelos sábios aqui e agora e que na dissolução do corpo, após a morte, ela irá renascer num destino feliz, até mesmo no paraíso. Ela aceitou e colocou em prática o ensinamento incontrovertível corretamente de tal forma que ambos os lados estão cobertos e exclui a alternativa prejudicial.'
(III. A Doutrina da Não Causalidade)
21. (A) "Chefes de família, existem alguns contemplativos e brâmanes cuja doutrina e entendimento é o seguinte: [12] 'Não existem causas e condições para a contaminação dos seres. Os seres são contaminados sem causas e condições. Não há causas e condições para a purificação dos seres. Os seres são purificados sem causas e condições. A realização de uma dada condição, de qualquer caráter, não depende quer seja das próprias ações, ou das ações dos outros, ou do esforço humano. Não há tal coisa como o poder ou energia, nem o poder humano ou a energia humana. Todos os animais, todas as criaturas, todos os seres, todas as almas, não têm força, poder e energia por si mesmos. Eles se inclinam nesta ou naquela direção de acordo com o seu destino, moldado de acordo com as circunstâncias e natureza da classe à qual pertencem, de acordo com a sua respectiva natureza: e é de acordo com a sua posição numa dessas seis classes que eles experimentam o prazer e a dor. [13]
22. (B) "Agora, existem alguns contemplativos e brâmanes cuja doutrina é diretamente oposta à doutrina daqueles contemplativos e brâmanes, e eles dizem o seguinte: 'Existem causas e condições para a contaminação dos seres. Os seres são contaminados com causas e condições. Há causas e condições para a purificação dos seres. Os seres são purificados com causas e condições. A realização de uma dada condição, de qualquer caráter, depende quer seja das próprias ações, ou das ações dos outros, ou do esforço humano. Há tal coisa como o poder ou energia, e o poder humano ou a energia humana. Todos os animais, todas as criaturas, todos os seres, todas as almas, têm força, poder e energia por si mesmos. Eles não se inclinam nesta ou naquela direção de acordo com o seu destino, moldado de acordo com as circunstâncias e natureza da classe à qual pertencem, de acordo com a sua respectiva natureza: não é de acordo com a sua posição numa dessas seis classes que eles experimentam o prazer e a dor.' O que vocês pensam, chefes de família? Esses contemplativos e brâmanes não possuem doutrinas diretamente opostas?" – "Sim, venerável senhor."
23. (A.i) "Agora, chefes de família, daqueles contemplativos e brâmanes cuja doutrina e entendimento é este: 'Não existem causas e condições para a contaminação dos seres ... eles experimentam o prazer e a dor,' é de se esperar que eles evitem aqueles três estados benéficos, isto é, a boa conduta corporal, a boa conduta verbal e a boa conduta mental e que eles adotem e pratiquem aqueles três estados prejudiciais, isto é, a má conduta corporal, a má conduta verbal e a má conduta mental. Por que isso? Porque esses contemplativos e brâmanes não vêm nos estados prejudiciais o perigo, a degradação e a contaminação, nem vêm nos estados benéficos as vantagens da renúncia, a eliminação das contaminações.
24. (A.ii) "Como na verdade existe causalidade, aquele que entender que 'não existe causalidade' possui o entendimento incorreto. Como na verdade existe causalidade, aquele que pensar que 'não existe causalidade' possui o pensamento incorreto. Como na verdade existe causalidade, aquele que afirmar que 'não existe causalidade' possui a linguagem incorreta. Como na verdade existe causalidade, aquele que disser que 'não existe causalidade' se opõe àqueles arahants que possuem a doutrina de que existe causalidade. Como na verdade existe causalidade, aquele que convencer alguém que 'não existe causalidade' o estará convencendo a aceitar o Dhamma que não é verdadeiro; e porque ele convence alguém a aceitar um Dhamma que não é verdadeiro, ele elogia a si mesmo e menospreza os outros. Dessa forma, qualquer virtude pura que ele possuísse antes é abandonada e substituída pela conduta corrompida. O entendimento incorreto, pensamento incorreto, linguagem incorreta, a oposição aos nobres, o convencer alguém a aceitar o Dhamma que não é verdadeiro, o elogiar a si mesmo e menosprezar os outros – todos esses estados ruins e prejudiciais surgem, portanto, tendo o entendimento incorreto como sua condição.
25. (A.iii) "Com relação a isso um homem sábio considera da seguinte forma: 'Se não existe causalidade, então na dissolução do corpo essa pessoa terá assegurado o seu bem estar. Mas se existir causalidade, então na dissolução do corpo, após a morte, ela irá renascer num estado de privação, num destino infeliz, nos reinos inferiores, até mesmo no inferno. Agora, sendo ou não verdadeiras as palavras daqueles contemplativos e brâmanes vou assumir que não existe causalidade: nesse caso, essa pessoa é censurada aqui e agora pelos sábios como sendo uma pessoa imoral, alguém que possui o entendimento incorreto, que segue a doutrina da não ação. Mas por outro lado, se existe causalidade, então essa pessoa fez uma jogada infeliz pelos dois lados: visto que ela é censurada pelos sábios aqui e agora e que na dissolução do corpo, após a morte, ela irá renascer num estado de privação, num destino infeliz, nos reinos inferiores, até mesmo no inferno. Ela aceitou e colocou em prática o ensinamento incontrovertível incorretamente de tal forma que apenas um lado está coberto e exclui a alternativa benéfica.'
26. (B.i) "Agora, chefes de família, daqueles contemplativos e brâmanes cuja doutrina e entendimento é este: 'Existem causas e condições para a contaminação dos seres ... eles experimentam o prazer e a dor,' é de se esperar que eles evitem aqueles três estados prejudiciais, isto é, a má conduta corporal, a má conduta verbal e a má conduta mental e que eles adotem e pratiquem aqueles três estados benéficos, isto é, a boa conduta corporal, a boa conduta verbal e a boa conduta mental. Por que isso? Porque esses contemplativos e brâmanes vêm nos estados prejudiciais o perigo, a degradação e a contaminação, e nos estados benéficos as vantagens da renúncia, a eliminação das contaminações.
27. (B.ii) "Como na verdade existe causalidade, aquele que entender que 'existe causalidade' possui o entendimento correto. Como na verdade existe causalidade, aquele que pensar que 'existe causalidade' possui o pensamento correto. Como na verdade existe causalidade, aquele que afirmar que 'existe causalidade' possui a linguagem correta. Como na verdade existe causalidade, aquele que disser que 'existe causalidade' não se opõe àqueles arahants que possuem a doutrina de que existe causalidade. Como na verdade existe causalidade, aquele que convencer alguém que 'existe causalidade' o estará convencendo a aceitar o Dhamma que é verdadeiro; e porque ele convence alguém a aceitar o Dhamma que é verdadeiro, ele não elogia a si mesmo e menospreza os outros. Dessa forma, qualquer conduta corrompida que ele possuísse antes é abandonada e substituída pela virtude pura. O entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, a não oposição aos nobres, o convencer alguém a aceitar o Dhamma que é verdadeiro, o não elogiar a si mesmo e menosprezar os outros – todos esses estados benéficos surgem, portanto, tendo o entendimento correto como sua condição.
28. (B.iii) "Com relação a isso um homem sábio considera da seguinte forma: 'Se existe causalidade, então na dissolução do corpo, após a morte, essa pessoa irá renascer num destino feliz, até mesmo no paraíso. Agora, sendo ou não verdadeiras as palavras daqueles contemplativos e brâmanes vou assumir que não existe causalidade: nesse caso, essa pessoa é elogiada aqui e agora pelos sábios como sendo uma pessoa virtuosa, alguém que possui o entendimento correto, que segue a doutrina da causalidade. Mas por outro lado, se existe causalidade, então essa pessoa fez uma jogada feliz pelos dois lados: visto que ela é elogiada pelos sábios aqui e agora e que na dissolução do corpo, após a morte, ela irá renascer num destino feliz, até mesmo no paraíso. Ela aceitou e colocou em prática o ensinamento incontrovertível corretamente de tal forma que ambos os lados estão cobertos e exclui a alternativa prejudicial.'
(IV. Não existem Mundos Imateriais)
29. "Chefes de família, existem alguns contemplativos e brâmanes cuja doutrina e entendimento é o seguinte: 'Definitivamente não existem mundos imateriais.'[14]
30. "Agora, existem alguns contemplativos e brâmanes cuja doutrina é diretamente oposta à doutrina daqueles contemplativos e brâmanes e eles dizem o seguinte: 'Definitivamente existem mundos imateriais.' O que vocês pensam, chefes de família? Esses contemplativos e brâmanes não possuem doutrinas diretamente opostas?" – "Sim, venerável senhor."
31. "Com relação a isso um homem sábio considera da seguinte forma: 'Esses contemplativos e brâmanes possuem a doutrina e o entendimento de que 'definitivamente não existem mundos imateriais,' mas isso não foi visto por mim. E esses outros contemplativos e brâmanes possuem a doutrina e o entendimento de que 'definitivamente existem mundos imateriais,' mas isso não foi experimentado por mim. Se, sem ver e experimentar, eu tomasse um partido e declarasse: "Somente isso é verdadeiro, todo o restante é falso," isso não seria compatível comigo. Agora quanto aos contemplativos e brâmanes que possuem a doutrina e o entendimento de que 'definitivamente não existem mundos imateriais,' se o que eles dizem é verdadeiro então com certeza ainda é possível que eu possa renascer (depois da morte) entre os devas dos mundos da matéria sutil. [15] Mas quanto aos contemplativos e brâmanes que possuem a doutrina e o entendimento de que 'definitivamente existem mundos imateriais,' se o que eles dizem é verdadeiro então com certeza ainda é possível que eu possa renascer (depois da morte) entre os devas dos mundos imateriais. O tomar clavas e armas, brigas, rixas, disputas, recriminações, malícia e mentiras, tudo isso ocorre com base na forma material, mas isso não existe de nenhum modo nos mundos imateriais.' Depois de assim refletir, ele pratica o caminho para o desapego das formas materiais, para o desaparecimento e cessação das formas materiais. [16]
(V. Não existe a Cessação de Ser/Existir)
32. "Chefes de família, existem alguns contemplativos e brâmanes cuja doutrina e entendimento é o seguinte: 'Definitivamente não existe a cessação de ser/existir.'[17]
33. "Agora, existem alguns contemplativos e brâmanes cuja doutrina é diretamente oposta à doutrina daqueles contemplativos e brâmanes e eles dizem o seguinte: 'Definitivamente existe a cessação de ser/existir.' O que vocês pensam, chefes de família? Esses contemplativos e brâmanes não possuem doutrinas diretamente opostas?" – "Sim, venerável senhor."
34. "Com relação a isso um homem sábio considera da seguinte forma: 'Esses contemplativos e brâmanes possuem a doutrina e o entendimento de que 'definitivamente não existe a cessação de ser/existir,' mas isso não foi visto por mim. E esses outros contemplativos e brâmanes possuem a doutrina e o entendimento de que 'definitivamente existe a cessação de ser/existir,' mas isso não foi experimentado por mim. Se, sem ver e experimentar, eu tomasse um partido e declarasse: "Somente isso é verdadeiro, todo o restante é falso," isso não seria compatível comigo. Agora, quanto aos contemplativos e brâmanes que possuem a doutrina e o entendimento de que 'definitivamente não existe a cessação de ser/existir,' se o que eles dizem é verdadeiro, então com certeza ainda é possível que eu possa renascer (depois da morte) entre os devas do mundo da matéria sutil. Mas quanto aos contemplativos e brâmanes que possuem a doutrina e o entendimento de que 'definitivamente existe a cessação de ser/existir,' se o que eles dizem é verdadeiro, então com certeza ainda é possível que eu possa aqui e agora realizar nibbana. O entendimento desses contemplativos e brâmanes que possuem a doutrina e o entendimento de que 'definitivamente não existe a cessação de ser/existir,' está próximo da cobiça, próximo do cativeiro, próximo do deleite, próximo do apego; mas o entendimento daqueles contemplativos e brâmanes que possuem a doutrina e o entendimento de que 'definitivamente existe a cessação de ser/existir,' está próximo da não-cobiça, próximo do não-cativeiro, próximo do não-deleite, próximo do não-apego. Depois de refletir dessa forma ele pratica o caminho para o desapego de ser/existir, para o desaparecimento e cessação de ser/existir.[18]
(Quatro Tipos de Pessoas)
35. "Chefes de família, existem quatro tipos de pessoas que podem ser encontradas no mundo. Quais quatro? É o caso de um tipo de pessoa que atormenta a si mesma e se dedica à prática de torturar a si mesma. É o caso de um tipo de pessoa que atormenta os outros e se dedica à prática de torturar os outros. É o caso de um tipo de pessoa que atormenta a si mesma e se dedica à prática de torturar a si mesma e ela também atormenta os outros e se dedica à prática de torturar os outros. É o caso de um tipo de pessoa que não atormenta a si mesma, nem se dedica à prática de torturar a si mesma e ela também não atormenta os outros, nem se dedica à prática de torturar os outros. Visto que ela não atormenta a si mesma nem aos outros, ela está aqui e agora sem apetite, apagada, arrefecida, e ela permanece experimentando a felicidade, tendo ela mesma se tornado santa.
36. "Que tipo de pessoa, chefes de família, atormenta a si mesma e se dedica à prática de torturar a si mesma? Neste caso uma certa pessoa anda nua, rejeitando as convenções ... (igual ao MN51, verso 8) ... Assim de formas variadas ela permanece se dedicando à prática de atormentar e mortificar o corpo. A isto se chama o tipo de pessoa que atormenta a si mesma e se dedica à prática de torturar a si mesma.
37. "Que tipo de pessoa, chefes de família, atormenta os outros e se dedica à prática de torturar os outros? Neste caso uma certa pessoa é um açougueiro de ovelhas ... (igual ao MN51, verso 9) ... ou alguém que se dedique a qualquer uma dessas ocupações sanguinárias. A isto se chama o tipo de pessoa que atormenta os outros e se dedica à prática de torturar os outros.
38. "Que tipo de pessoa, chefes de família, atormenta a si mesma e se dedica à prática de torturar a si mesma e ela também atormenta os outros e se dedica à prática de torturar os outros? Neste caso uma pessoa é um rei consagrado ou um brâmane próspero ... (igual ao MN51, verso 10) ... E então os seus escravos, mensageiros e servos fazem preparativos com os rostos cobertos de lágrimas, incitados pelas ameaças de punição e pelo medo. A isto se chama o tipo de pessoa que atormenta a si mesma e se dedica à prática de torturar a si mesma e ela também atormenta os outros e se dedica à prática de torturar os outros.
39. "Que tipo de pessoa, chefes de família, não atormenta a si mesma, nem se dedica à prática de torturar a si mesma e ela também não atormenta os outros, nem se dedica à prática de torturar os outros – aquela que, visto que ela não atormenta a si mesma nem aos outros, está aqui e agora sem apetite, apagada, arrefecida, e ela permanece experimentando a felicidade, tendo ela mesma se tornado santa?
40-55. Neste caso, chefes de família, um Tathagata aparece no mundo ... (igual ao MN51, versos 12-27) ... Ele compreende: 'O nascimento foi destruído, a vida santa foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, não há mais vir a ser a nenhum estado.'
56. "A isto, chefes de família, se chama o tipo de pessoa que não atormenta a si mesma, nem se dedica à prática de torturar a si mesma e ela também não atormenta os outros, nem se dedica à prática de torturar os outros - aquela que, visto que ela não atormenta a si mesma nem aos outros, está aqui e agora sem fome, saciada, arrefecida, permanece experimentando a bem-aventurança, tendo ela mesma se tornado santa."
57. Quando isso foi dito, os brâmanes chefes de família de Sala disseram para o Abençoado: "Magnífico, Mestre Gotama! Magnífico, Mestre Gotama! Mestre Gotama esclareceu o Dhamma de várias formas, como se tivesse colocado em pé o que estava de cabeça para baixo, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para alguém que estivesse perdido ou segurasse uma lâmpada no escuro para aqueles que possuem visão pudessem ver as formas. Nós buscamos refúgio no Mestre Gotama, no Dhamma e na Sangha dos bhikkhus. Que o Mestre Gotama nos aceite como discípulos leigos que nele buscaram refúgio para o resto das nossas vidas."


Notas:
[1] MA: O Buda começa com esta pergunta porque o vilarejo de Sala estava situado na entrada para uma floresta, e muitos contemplativos e brâmanes de credos diversos passavam a noite ali expondo as suas idéias e destruindo as idéias dos seus adversários. Isso deixava os moradores do vilarejo perplexos, incapazes de se comprometerem com algum ensinamento em particular. [Retorna]
[2] Apannakadhamma. MA explica isto como um ensinamento que não é contraditório, livre de ambigüidades, definitivamente aceitável (aviraddho, advejjhagami, ekamsagahiko). [Retorna]
[3] As três idéias discutidas nos versos 5, 13 e 21 são denominadas entendimento incorreto com conseqüência ruim determinada. Apegar-se a elas com firme convicção elimina a possibilidade de um renascimento no paraíso e de alcançar a libertação. O exame dessas idéias ocorre de acordo com o seguinte esquema: O Buda apresenta o entendimento incorreto A e a sua antítese B. Examinando A primeiro, em A.i ele mostra o efeito pernicioso dessa idéia na conduta corporal, verbal e mental. Em A.ii ele dá seguimento ao julgamento de que na verdade essa idéia é errada e descreve as conseqüências negativas adicionais em adotá-la. Então em A.iii ele mostra como uma pessoa sábia chega à conclusão de que quer a idéia seja verdadeira ou não, o melhor para a pessoa é rejeitá-la. Em seguida a posição B é considerada. Em B.i o Buda descreve a influência benéfica dessa idéia na conduta. Em B.ii ele mostra conseqüências positivas adicionais ao adotar essa idéia. E, em B.iii ele mostra como uma pessoa sábia chega à conclusão de que quer a idéia seja verdadeira ou não, o melhor para a pessoa é agir como se esse entendimento fosse verdadeiro. [Retorna]
[4] Veja o MN 41 – Nota 1 para o esclarecimento de diversas expressões usadas na formulação dessa idéia. [Retorna]11.0pt; mso-bidi-font-size:12.0pt;mso-ansi-language:
[5]11.0pt;mso-bidi-font-size: 12.0pt;mso-ansi-language: Os termos em Pali são susilya e dusilya. Visto que "virtude corrompida" soa contraditório, "conduta" foi empregado para interpretar a primeira palavra11.0pt;mso-bidi-font-size:12.0pt;mso-ansi-language:. [Retorna]
[6] Ele assegurou o seu bem-estar (sotthi) no sentido de que não estará sujeito ao sofrimento numa existência futura. No entanto, ele ainda estará sujeito aos tipos de sofrimento que são encontrados nesta existência, que o Buda irá mencionar. [Retorna]
[7] Natthikavada, literalmente "a doutrina da não existência," é assim denominada porque nega a existência de uma vida após a morte e da conseqüência do kamma. [Retorna]
[8] A colocação em prática do ensinamento incontrovertível de 'apenas um lado' significa que ela assegura o seu bem-estar somente na pressuposição de que não exista uma vida futura, enquanto que se houver uma vida futura ela perde dos dois lados. [Retorna]
[9] Atthikavada: a afirmação da existência de uma vida futura e da conseqüência do kamma. [Retorna]
[10] A colocação em prática do ensinamento 'dos dois lados' significa que ela colhe o benefício da sua idéia que afirma a vida futura, quer a vida futura exista ou não. [Retorna]
[11] A doutrina da não ação (akiriyavada), no DN2 – Samannaphala Sutta, é atribuída a Purana Kassapa. Embora à primeira vista a doutrina pareça se apoiar sobre premissas materialistas, como a doutrina niilista anterior, existe evidência canônica que Purana Kassapa possuía uma doutrina fatalista. Assim o seu antinomianismo moral provavelmente deriva da idéia de que toda ação está predestinada, de forma a abolir a atribuição de responsabilidade moral ao agente. [Retorna]
[12] Esta é a doutrina da não causalidade (ahetukavada) defendida pelo líder Ajivaka, Makkhali Gosala, denominada a doutrina da purificação através do samsara (samsarasuddhi) no DN2 – Samannaphala Sutta. [Retorna]
[13] Niyati, destino ou sorte, é o principal principio explanatório na filosofia de Makkhali, "circunstância e natureza" (sangatibhava) parecem ser as formas de como o princípio opera respectivamente nos eventos externos e na constituição do indivíduo. As seis categorias (abhijati) são seis graduações dos seres humanos de acordo com o seu nível de desenvolvimento espiritual, sendo que as três principais estão reservadas para os três mentores dos Ajivakas mencionado no MN36.5. [Retorna]
[14] Esta é uma negação dos mundos com a existência imaterial que são a contrapartida objetiva das quatro realizações imateriais. [Retorna]
[15] Estes são os devas dos mundos que correspondem aos quatro jhanas. Eles possuem corpos com matéria sutil, ao contrário dos devas dos mundos imateriais que consistem apenas de mente sem qualquer mescla com a matéria. [Retorna]
[16] MA: Embora o homem sábio em questão tenha dúvidas quanto à existência dos mundos imateriais, ele alcança o quarto jhana e com base nisso ele tenta alcançar as absorções imateriais. Se falhar, ele estará seguro de renascer nos mundos da matéria sutil, mas se suceder, ele renascerá nos mundos imateriais. Assim, para ele esta é uma aposta num ensinamento incontrovertível. [Retorna]
[17] MA: Cessação de ser/existir (bhavanirodha) equivale a nibbana. [Retorna]
[18] MA: Embora esta pessoa tenha dúvidas quanto à existência de nibbana, ela alcança as oito realizações meditativas e depois, usando uma dessas realizações como base, desenvolve o insight, pensando: "Se existe a cessação, então alcançarei o estado de arahant e realizarei nibbana." Se falhar, ela estará certa de renascer no mundo imaterial, mas se suceder, ela irá alcançar o estado de arahant e realizar nibbana. [Retorna]


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393 - Aññatarabhikkhu Sutta - Um Certo Bhikkhu


Aññatarabhikkhu Sutta

Um Certo Bhikkhu

Samyutta Nikaya XLV.7



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"Venerável senhor, dizem, 'a destruição da cobiça, a destruição da raiva, a destruição da delusão.' Então, venerável senhor, o que é essa designação?
"Essa, bhikkhu, é uma designação para o elemento Nibbana: a destruição da cobiça, a destruição da raiva, a destruição da delusão. A destruição das impurezas é descrita dessa forma."
Quando isso foi dito, aquele bhikkhu disse para o Abençoado: "Venerável senhor, dizem, 'o Imortal, o Imortal.' Então, venerável senhor, o que é esse Imortal? Qual o caminho que conduz ao Imortal?"
"A destruição da cobiça, a destruição da raiva, a destruição da delusão: isso é chamado de Imortal. Este Nobre Caminho Óctuplo é o caminho que conduz ao Imortal; isto é, entendimento correto ... concentração correta."


 


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400 - Aññatra Sutta - Em Outro Lugar

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